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Transplante de medula óssea: cuidados durante a pandemia

Estatísticas apontam redução significativa do número de doações de medula óssea durante a pandemia, mas pacientes seguem à espera do procedimento.

A pandemia da Covid-19 afetou nossa forma de viver de diferentes maneiras. Na saúde, tais mudanças foram ainda mais notórias, e mesmo que os protocolos já fossem conhecidos dos profissionais, o impacto da sua implementação no dia a dia foi muito sentida por eles, mas, sobretudo, pelos pacientes. As recomendações de segurança, como lavar as mãos e manter o distanciamento social, foram aplicadas a todos e sensibilizaram cada um de nós de modo singular. Mas já parou para pensar em como tudo isso influenciou a vida de quem passa ou precisou passar por tratamentos como um transplante de medula óssea (TMO)? Esse procedimento é fundamental para tratar determinadas doenças e foi muito afetado pela pandemia. Vamos entender como.

O que é um transplante de medula óssea?

Antes de começarmos a falar sobre os impactos da pandemia para os transplantes de medula óssea, precisamos entender como é o procedimento. O transplante de medula óssea é um tratamento recomendado para alguns tipos de doença que afetam o sangue, como leucemia e linfoma, patologias oncológicas que podem ser bastante agressivas. 

A técnica consiste na substituição da medula óssea doente por células saudáveis de outra pessoa. Essas células doadas vão atuar no lugar das células com alterações ou deficitárias, a fim de reconstituir uma nova medula e restabelecer a produção normal de sangue.

Na medula óssea estão as células-tronco hematopoiéticas, responsáveis pela geração de todo o sangue, que é formado por glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Assim, a pessoa transplantada receberá células sanguíneas de outra pessoa. É aí que surge o questionamento: como é possível realizar esse procedimento de forma segura quando parte da população está infectada pelo novo coronavírus?

Que cuidados são necessários neste momento de pandemia?

Em cenário de pandemia, é importante reforçar a necessidade da criação de protocolos de segurança especiais, como o uso de equipamentos de proteção individual, o reforço nas orientações de higienização das mãos e a presença de fluxos diferenciados para a restrição de pessoas na unidade de transplante. No Hospital Brasília, seguimos à risca essas recomendações, a fim de garantir a segurança de todos. O doador e o receptor também precisam seguir direcionamentos específicos. “De forma geral, os pacientes que estão em programação de transplante devem reforçar as medidas de distanciamento social para evitar o contato com o vírus, por meio do uso correto de máscaras, da lavagem das mãos frequentemente com água e sabão e/ou do uso de álcool 70%, do distanciamento social, ou seja, não devem frequentar locais com aglomeração de pessoas e precisam evitar fazer visitas e receber pessoas em casa nesse período”, explica a Dra. Andresa Melo, hematologista e coordenadora do Programa de Transplante de Medula Óssea do Hospital Brasília.

Ela orienta ainda que, depois do agendamento da internação, o receptor deve manter quarentena por 14 dias e o receptor, por 28 dias, e ambos devem evitar ao máximo situações que possam aumentar o risco de contato com o vírus. Assim, é possível diminuir a chance de que o procedimento seja iniciado com o vírus em período de incubação (fase inicial de contágio, em que a pessoa não tem sintomas). “Consultas hospitalares presenciais devem ser evitadas e os candidatos devem ser testados para Sars-CoV-2 antes da admissão, independentemente da presença de sintomas. O resultado deve ser negativo para se iniciar o condicionamento”, completa a médica. 

Que cuidados o receptor precisa tomar em relação à Covid-19?

É fundamental evitar ao máximo o risco de o paciente contrair Covid-19 depois do transplante. “Vale lembrar que, com a intensa supressão do sistema imunológico, que faz parte do tratamento, há maior risco de complicações graves e óbito decorrentes da infecção”, alerta a Dra. Andresa. Assim, todas as medidas de segurança supracitadas na fase pré-transplante devem ser reforçadas e permanecer após o procedimento.

O que o doador precisa saber?

Tornar-se doador de medula óssea é um gesto especial de amor ao próximo. De forma geral, os riscos são poucos e dependem da fonte de células utilizadas na doação. Há raros relatos de eventos relacionados com o procedimento que necessitam de anestesia. Em alguns casos, há pequena dor no local da punção, dor de cabeça e cansaço. A notificação médica de problemas graves ocorridos a doadores durante e após a doação é rara e limitada às intercorrências controláveis. Por esse motivo, o estado físico do doador é checado anteriormente, só sendo autorizado para o procedimento de doação os que têm boas condições de saúde. Em um prazo aproximado de 15 dias, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada.​

A vacina está a caminho; como ficam as pessoas que passaram pelo TMO?

Os pacientes devem ser vacinados com qualquer uma das vacinas contra a Covid-19 (exceto aquelas produzidas com formas atenuadas do vírus) com comprovada segurança e eficácia tão logo se tornem disponíveis. Se a região apresenta aceleração da taxa de transmissão, a vacinação pode ser iniciada no terceiro mês depois do transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH). Por outro lado, se a transmissão está em fase decrescente e sob controle, é aconselhável esperar até o sexto mês pós-transplante para fazer a vacinação.

Panorama do TMO no Brasil

O Ministério da Saúde afirmou que as doações e os transplantes de medula óssea não foram interrompidos por causa da pandemia de Covid-19. No entanto, publicou portarias com recomendações sobre medidas de segurança descritas e orientadas por órgãos de saúde especializados.

As autoridades de saúde também ressaltaram que a pandemia influenciou muito o cenário, desde a disponibilidade de doadores até a cadeia de assistência à saúde. Assim, foi necessário pensar em novos fluxos, recursos e insumos para o atendimento em todo o país, principalmente em relação às pessoas que precisam do tratamento.

Dados levantados pelo Registro de Doadores de Medula Óssea no Brasil (Redome) mostram que houve uma redução de 30% das doações, em comparação com o ano anterior. Isso faz com que seja ainda mais importante a conscientização das pessoas sobre a doação de medula óssea.

O Hospital Brasília é referência em transplantes de medula óssea. Mesmo em tempos ​​de pandemia, continuamos a atender as pessoas que nos procuram para esse procedimento, sempre cumprindo os protocolos de segurança para a prevenção de Covid-19.​


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