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Pronto-socorro pediátrico: quando recorrer a ele?

Entenda quando você deve buscar cada um desses serviços

​​​​​Um comportamento comum de pais quando percebem que suas crianças apresentam alguma alteração de saúde é levá-las ao pronto-socorro pediátrico. Isso acontece até mesmo em casos aparentemente menos urgentes. Optam por ir primeiro a este serviço do que agendar uma consulta com o pediatra. Mas, afinal, qual é a melhor opção e em quais situações é exigido um tipo de atendimento ou outro? O Dr. Mario Ferreira, coordenador da Linha de Cuidados Pediátricos da Dasa, explica em quais casos deve-se buscar cada um deles. Confira!

Normalmente, o atendimento em pronto-socorro pediátrico é motivado por maior praticidade, já que a emergência funciona 24h por dia. Ou mesmo por certa ansiedade para saber o que o filho está passando, até em situações que poderiam esperar por uma consulta agendada com o pediatra. Além disso, muitos pais e cuidadores podem ter falta de tempo de marcar essas consultas previamente. 

Um ponto menos favorável na busca pelo pronto-socorro pediátrico, em casos não emergenciais, é o aumento no volume de atendimentos e também no tempo de espera. Isso sobrecarrega as equipes emergenciais e impacta no fluxo de atendimento em casos de urgência. Mas então, quando se deve buscar esse serviço?

O Dr. Mario Ferreira, pediatra do Hospital Brasília Águas Claras explica que: “sempre que houver sinais de alerta como: dificuldade respiratória (aumento da frequência ou do esforço respiratório), batimento de aletas nasais, ruídos para respirar, rouquidão, sonolência alternada com irritabilidade, choro inconsolável, convulsão, palidez, cianose (boca com coloração roxa), manchas espalhadas pelo corpo, cortes com sangramento ativo, desmaios, bem como febre alta ou persistente (duração maior do que 48 a 72 horas) ou acompanhada dos sinais de alerta acima. Alterações agudas da marcha ou do equilíbrio também são motivos de consulta imediata em pronto socorro pediátrico".

Veja alguns sinais que indicam a necessidade de atendimento emergencial

▪Febre - esse é um sintoma a ser observado que, em casos isolados, pode não revelar o real problema de saúde. Pode tanto fazer parte de quadros graves como de quadros benignos. Deve-se perceber a associação com outros sintomas. Normalmente, ela desaparece em até 72 horas. No entanto, vá ao pronto-socorro quando a febre for alta (maior ou igual a 39°C) ou se estiver acompanhada de outros sinais como: dor intensa, manchas vermelhas no corpo, sonolência, desmaios, tremores, vômitos, choro em excesso, convulsões, recusa alimentar, alucinações ou então quando a febre permanecer por mais de três dias.

▪Dificuldade respiratória - a criança com dificuldade para respirar revela isso por meio dos seguintes sinais: a respiração fica mais rápida do que o normal, a criança usa intensamente a musculatura para respirar (a barriga afunda, há movimento no pescoço), pode parecer sufocada ou ficar prostrada. Esses indícios demonstram necessidade de ir ao pronto-socorro pediátrico imediatamente. Já as crianças apenas com coriza e nariz entupido, respirando com a boca aberta, podem ser controladas em casa sob a supervisão e orientação médica.

▪Sangramento – tropeços, quedas e cortes podem não apresentar gravidade em alguns casos e, em outros sim. Quando há um sangramento provocado por lesões profundas, é preciso levar a criança ao pronto-socorro.

▪Diarreia e vômitos – embora esses sintomas normalmente não durem por muito tempo, o risco está em relação à desidratação. Por isso, é necessária observação importante aos seguintes sinais: não urinar por cerca de seis horas, fraldas secas, boca e mucosas secas, vômitos frequentes, choro sem lágrima, sonolência, diarreia com sangue. Esses são sinais claros de que há necessidade da ida ao pronto-socorro pediátrico.  

Em períodos mais quentes, a gastroenterite viral aguda é bastante frequente nas crianças. Para protegê-las contra a desidratação, mantenha sempre a oferta de líquidos, em pequenas quantidades, mas durante todo o dia. Normalmente a criança não terá vontade de comer, então dê a ela alimentos várias vezes ao dia e respeitando a quantidade que ela desejar.  Na maior parte dos casos, o quadro se resolve entre quatro e sete dias.

▪Traumatismo craniano – bater a cabeça é um acontecimento bastante comum para as crianças, afinal, a infância é um período de bastante aprendizado e brincadeiras. Apesar de na maior parte dos casos não apresentar gravidade, outros, não entanto, podem indicar grande risco. Observe os seguintes sinais na criança depois de ter batido a cabeça: mudança no comportamento, perda de consciência ou memória, sono além do normal, vômitos que não param, convulsão. Nesses casos é imprescindível a ida ao pronto-socorro pediátrico.

▪Convulsões – fora os casos nos quais as famílias com pacientes com epilepsia já estão orientadas por um médico, crianças que apresentam convulsão devem ser levadas ao pronto-socorro pediátrico.

▪Reação alérgica – alergia pode se tornar grave, então bastante atenção em caso de a criança ficar com: a língua inchada, manchas vermelhas no corpo e dificuldade em respirar. Nessas circunstâncias, leve-a o mais rápido possível ao pronto-socorro pediátrico.

▪Intoxicações – ingerir alimentos, produtos de limpeza ou medicamentos acidentalmente pode apresentar um enorme risco para as crianças. Busque imediatamente o pronto atendimento emergencial​ e, se possível, leve o recipiente ou a caixa do produto consumido para que o médico possa avaliar.

▪Picadas por aranhas, escorpião ou cobra: procurar imediatamente o pronto socorro pediátrico e, se possível, capturar e levar o animal que causou o acidente. A repercussão desses acidentes por animais peçonhentos é muito maior em crianças do que em adultos.​

Quando devo agendar consultas pediátricas

Segundo o Dr. Mario Ferreira: “estando a criança em bom estado geral e sem os sinais de alarme descritos acima, a consulta pode ser agendada ambulatorialmente. Por exemplo, crianças com coriza ou tosse discreta, crianças com fezes amolecidas mas sem sinais de desidratação e aceitando bem dieta e líquidos".

“Vale lembrar também que é fundamental o agendamento de consultas ambulatoriais para acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças. Nessas consultas também são feitas orientações quanto à alimentação, vacinação e necessidades de suplementos visando prevenir doenças ou manter condições crônicas controladas. Prevenir é muito melhor do que remediar", completa o médico.




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