Logon
Blog

Janeiro Branco: comece o ano focado na saúde mental

A saúde mental inclui o bem-estar emocional, psicológico e social

​​​​


No ano que se passou nem todos foram capazes de controlar o estresse psicológico, a insegurança e o medo criados pela pandemia da Covid-19. Essa situação, somada às novas regras necessárias para controlar o avanço do novo coronavírus, acabou levando ao agravamento de condições patológicas preexistentes em inúmeras pessoas. Algumas delas, já cientes de que estavam diante de sintomas de ansiedade ou depressão, por exemplo, conseguiram buscar ajuda profissional. Mas quantas pessoas enfrentaram (e ainda enfrentam) os desdobramentos de um transtorno mental sem ter conhecimento para lidar com tais esferas psicológicas?


Entenda como o período da pandemia afetou a vida emocional das pessoas em todas as faixas etárias

“O momento que estamos vivendo é de fragilidade para a saúde mental em todo o mundo, para o brasileiro não é diferente. Alguns estudos científicos ainda estão em andamento, outros já foram concluídos, e são evidentes os altos índices de ansiedade, luto, transtorno de estresse pós-traumático e agravamento de transtornos prévios", afirma a Dra. Carolina Tajra, psiquiatra da Rede Ímpar.

A especialista destaca que o ser humano é um ser social, e o brasileiro tem essa característica ainda mais acentuada. Diante disso, os cuidados para conter os avanços da Covid-19, como manter o distanciamento social – ou mesmo o total isolamento –, encarar diariamente o medo de adoecer e transmitir uma doença tão incerta e ver os serviços sendo fechados, entre outros desdobramentos, geraram uma comoção geral. “As crianças e os idosos têm menor capacidade de adaptação e menos estratégias para compensar o distanciamento. Para esses grupos, muitas vezes, é difícil compreender até a necessidade de isolamento", complementa a médica.

Ela salienta ainda que, além desses pontos, situações familiares conturbadas, sem dúvida, são um grande fator de risco para o adoecimento. “Com mais tempo em casa, muitos conflitos familiares e de violência doméstica têm se agravado. O trabalho, agora com a necessidade de adaptação que nem todos conseguem acompanhar, muitas vezes é um forte gatilho. Os fatores comportamentais de consumo de substâncias também são um importante fator agravante para a piora da saúde mental. A perda da rotina de sono também não pode ser esquecida."


“Não há saúde se não houver saúde mental" – OMS

Para começar o ano bem é preciso destacar a importância de cuidar de um aspecto que influencia totalmente a forma como pensamos, sentimos e agimos: a saúde mental. Pessoas que enfrentam problemas nesse aspecto da vida costumam ter seu pensamento, humor e comportamento negativamente afetados. A parte delicada é que, muitas vezes, a causa dos transtornos psicológicos não é bem definida, podendo incluir desde fatores biológicos, como genes ou química do cérebro, até experiências de vida, como trauma ou abuso. Ter um histórico familiar de problemas de saúde mental também pode influenciar consideravelmente.

Daí a importância do Janeiro Branco. A iniciativa surgiu em 2014, fruto da ideia de um grupo de psicólogos de Minas Gerais, uma vez que, segundo os próprios, o primeiro mês do ano é encarado, pela maioria das pessoas, como um mês de renovação, reflexão e avaliação da própria vida. Com base nisso, a campanha visa incentivar o diálogo sobre esse assunto – que, infelizmente, ainda é visto por muitos com preconceito ou como um motivo para vergonha –, além de disseminar as possibilidades de auxílio profissional, de forma a reabilitar a saúde mental e o bem-estar desses pacientes.


Entenda quais são os transtornos mentais mais comuns

Existem inúmeros tipos de transtornos mentais, mas temos percebido um aumento significativo de alguns quadros que acabaram se tornando mais comuns na sociedade.


  • Transtornos de ansiedade

Quando o paciente entra em um estado permanente de ansiedade e preocupação excessiva, não relacionado com um objeto ou situação específica. É uma questão que atinge todos os aspectos da vida: profissional, familiar, emocional e social, podendo ter consequências indesejadas no cotidiano. Muitas vezes, é acompanhado por fadiga; tensão muscular; dores de cabeça e/ou dores abdominais; agitação; distúrbios do sono; dificuldade de concentração e mau humor.

  • Depressão (ou transtorno depressivo)

Cada vez mais presente na sociedade atual, a depressão é caracterizada por um constante humor triste, perda de interesse pelas atividades cotidianas e queda de energia. Esses sintomas podem ser acompanhados por um declínio na autoestima e autoconfiança; culpa injustificada; dificuldade de concentração; distúrbios do sono; perda do apetite e desejo sexual; dor física e, em alguns casos, pensamentos suicidas.

Sobre essa doença em específico, a especialista do Hospital Brasília Unidade Águas Claras comenta: “A depressão é uma patologia tão complexa que é difícil listar poucos sintomas. Sem deixar de citar os habituais – tristeza; perda de interesse em atividades antes consideradas prazerosas; alteração do sono; agitação ou retardo psicomotor; perda de energia; dificuldade de pensamento e pensamentos sobre morte –, não podemos esquecer outros sintomas não tão claros. Quadros dolorosos; tonturas; além de uma infinidade de queixas somáticas; alterações no peso; isolamento social; perda da esperança; sentimento de culpa e inutilidade são muitas vezes esquecidos ou desconsiderados, mas são sinais de alerta para pacientes, familiares e clínicos.".

  • Transtorno bipolar

Esse paciente sofre fortes alterações do humor, vivenciando fases de grande excitação seguidas de períodos de depressão, intercalados com momentos de estabilidade. Nas chamadas fases maníacas (quando a pessoa está excessivamente feliz), podem ocorrer uma grande aceleração do pensamento; aumento da atividade física e da vontade de falar; dificuldade de concentração; diminuição da necessidade de dormir e sintomas afins. Por outro lado, as fases depressivas são caracterizadas por tristeza; perda de interesse; fadiga; apetite e/ou distúrbios do sono; perda da autoestima; dificuldade de concentração; pensamentos negativos ou pensamentos suicidas. Em alguns casos, também ocorrem sintomas psicóticos, como pensamentos delirantes ou alucinações.

  • Esquizofrenia

Nesse quadro ocorre perda da unidade psíquica: o pensamento fica confuso, a fala às vezes é ilógica e/ou difícil de seguir e as emoções expressas não têm relação com a realidade. O paciente costuma apresentar uma falsa percepção da realidade, como se visse, ouvisse ou percebesse coisas que não existem. Ele também pode sentir que está sendo perseguido ou que seus pensamentos estão sendo ouvidos pelos demais. Pensamentos, sensações e visões costumam ser acompanhados por forte angústia, que pode impactar totalmente sua vida social e causar um grande sofrimento.

  • Distúrbios alimentares

Os dois tipos mais comuns são a anorexia e a bulimia. No primeiro, o paciente provoca uma perda de peso excessiva e intencional, por meio da reduzida ou nenhuma ingestão de alimentos. Já o segundo é caracterizado pela ingestão repetida de grande quantidade de alimentos em um curto espaço de tempo, o que, posteriormente, faz a pessoa sentir necessidade de induzir o vômito ou usar produtos laxantes para eliminar o que comeu.

  • Transtorno de personalidade limítrofe

É caracterizado por forte instabilidade e grande impulsividade, principalmente no relacionamento com os outros. Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra, mas é comum que experimentem emoções extremas ou que adotem atitudes que coloquem em risco a própria segurança (comportamentos suicidas, automutilação, uso de substâncias, bulimia). Esse paciente pode manifestar alterações de humor significativas (irritabilidade, ansiedade, raiva, brigas) ou sentir um vazio.

Como tratar a saúde mental?

Existem diversas formas de controlar o desenvolvimento de problemas mentais. Antes de mais nada é recomendável obter ajuda profissional, por meio do acompanhamento de um psicanalista, psiquiatra ou psicólogo. Esses especialistas serão capazes de intervir no quadro da maneira correta, desenvolvendo habilidades de enfrentamento perante o paciente e conduzindo-o a um estado mental mais tranquilo e otimista, da melhor forma possível.

Alguns comportamentos pessoais podem fazer toda a diferença para a pessoa que sofre com um transtorno mental, como conectar-se com outras pessoas, tentar ao máximo manter uma atitude positiva, estar fisicamente ativo, buscar apoio e dormir o suficiente.

“Mas, mais do que isso, é preciso aconselhar que as pessoas se preocupem com o que elas podem mudar. A preocupação com o que não podemos mudar só gera adoecimento e sofrimento. Sugiro especificamente reduzir o consumo de notícias negativas e aumentar o de notícias positivas, oferecer suporte às pessoas que valorizamos e tomar cuidado com o consumo de substâncias, jogos e conteúdo eletrônico, todos com grande potencial de aumento em situações de isolamento. Ajudar quem precisa e não pode se expor tanto também gera um sentimento forte de empatia e bem-estar", recomenda a psiquiatra do Hospital Brasília Unidade Águas Claras.

Um detalhe essencial, que vale ser ressaltado, principalmente se você for familiar ou amigo de uma pessoa que lhe expôs um problema relacionado com a esfera psicológica, é evitar a minimização das dificuldades, por meio de comentários como “Há pessoas em situações piores", “Você deveria ser grato pela vida" ou “Existem outras coisas mais importantes com as quais se preocupar". Esse comportamento é absolutamente contraproducente, pois aqueles que sofrem com dificuldades ou problemas psicológicos estão, na maioria das vezes, perfeitamente cientes de tudo isso, o que não significa que devam ser menosprezados ou desconsiderados em relação à luta que enfrentam. Essa é a hora de demonstrar todo o seu apoio, amor e acolhimento.

Para finalizar, a Dra. Carolina Tajra reforça: “Qualquer sintoma que seja causador de grande transtorno, que se prolongue por mais de duas semanas, que faça você perder o controle, deixar de fazer coisas que antes gostava, já merece atenção do especialista. Adiar a procura é adiar o sofrimento e aumentar a chance de complicações. Por isso, não deixe de buscar ajuda por medo ou vergonha. Profissionais éticos só recomendarão tratamento se também concordarem que é necessário. Além disso, o tratamento em geral é muito mais simples do que a maioria das pessoas pensa.".


Veja mais

Nosso site usa cookies para melhorar a navegação. Conheça o nosso Portal de Privacidade .