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Dia Mundial da Obesidade: causas sintomas e o alerta sobre uma pandemia negligenciada

Atualmente, a obesidade afeta 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças no mundo

​​​​Durante o ano de 2020, muitas pessoas falaram sobre a pandemia da Covid-19, no entanto, há também outra pandemia que faz milhares de vítimas pelo mundo: a obesidade. O tema é lembrado no dia 4 de março, marcado como o Dia Mundial da Obesidade. A data serve para conscientizar a população e incentivar a busca de soluções para essa condição que atinge cada vez mais pessoas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade afeta 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças ao redor do mundo. Ela tem características crônica, progressiva e recidivante (pode voltar a acontecer depois de um tempo de tratamento). “É uma doença incapacitante também, visto que a pessoa que enfrenta esse quadro fica com dificuldades para exercer suas atividades diárias", explica a Dra. Jamilly Drago, endocrinologista do Hospital Brasília Unidade Águas Claras. Além disso, infelizmente, muitas pessoas ainda relativizam os riscos que ela gera à saúde, mas aqui você vai descobrir por que deveríamos estar mais atentos a ela e como a combinação Covid-19 e obesidade é um risco grave.


O que caracteriza a obesidade?

Obesidade é o acúmulo de gordura no corpo causado pelo consumo excessivo de calorias na alimentação. Significa dizer que a pessoa acaba ingerindo muita fonte de energia que depois o corpo não consegue gastar integralmente nas atividades exercidas ao longo do dia. 

Esse quadro é resultado de uma série de fatores que incidem diretamente no estilo de vida de cada pessoa. Em geral, são hábitos não saudáveis ou problemas no próprio organismo que levam a essa condição. A obesidade pode ser consequência de problemas hormonais, fatores genéticos, metabólicos e psicológicos. Ou seja, não é mera questão estética, ela tem raízes profundas que levam a alterações funcionais, comportamentais e, sobretudo, converte-se em doenças ainda mais prejudiciais.  

 

Quais são as causas da obesidade?

Em alguns casos, a obesidade pode estar diretamente ligada aos sintomas de algumas doenças. No entanto, na maior parte dos casos, ela é consequência de:

• sedentarismo – a rotina pessoal é pouco ativa e desproporcional à quantidade de calorias ingerida;

• alimentação não saudável – o consumo excessivo de alimentos com alto teor calórico, principalmente quando associado ao sedentarismo, impede que o corpo aplique toda a energia produzida, gerando sobrepeso.​

Mas não é só isso: há também os fatores de risco que agem de forma particular no quadro de cada pessoa obesa, como fator genético, idade, aspecto psicológico, gravidez, efeito colateral de medicamentos e substâncias químicas. “Já se identificou um gene, que se expressa na região do hipotálamo, que influencia a sensação de saciedade. Porém, também sabemos que, mesmo que haja predisposição genética, os fatores ambientais e os hábitos alimentares interferem de forma importante nesse quadro", continua a médica.

 

Sintomas da obesidade

Os sintomas da condição, na verdade, são efeitos recorrentes que, ao longo do tempo, podem provocar ainda mais agravos ao bem-estar da pessoa. Principalmente, os relativos à gradação do próprio quadro de obesidade.

Alguns dos efeitos são cansaço, suor excessivo e dores musculares, sobretudo, na coluna e nas pernas. Estes são efeitos diretos e perceptíveis ao paciente. No entanto, há outras condições que também vão sendo percebidas ao longo da acentuação do quadro. É o caso da redução da libido, baixa autoestima e redução no desempenho sexual. Por fim, a obesidade também é responsável por ocasionar doenças como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares. “Somado a isso, temos uma grande dificuldade enfrentada pelas pessoas obesas que é a discriminação. Só recentemente tem se falado em 'gordofobia', mas há muitos anos, mesmo após o reconhecimento da obesidade como doença, se associa à pessoa obesa o estigma de preguiçoso ou comilão, o que causa grande sofrimento nesses indivíduos", pondera a Dra. Jamilly.


Categorias I, II e III

Existem algumas classificações em relação à obesidade. A primeira delas diz respeito à localização da gordura:

  • homogênea – é aquela gordura que se acumula de modo equilibrado pelo corpo, isto é, tanto na parte superior como inferior dos membros;
  • androide – é a gordura que se deposita na região abdominal e torácica, predominante no sexo masculino, mas também comum em mulheres após a menopausa. Essa categoria apresenta alto risco para complicações cardiovasculares;
  • ginecoide – muitas pessoas associam esse tipo de gordura ao formato de uma pera, pois o acúmulo acontece na região inferior, como nádegas, quadril e coxas. Ela costuma ser mais comum no sexo feminino e tem correlação com o surgimento de artrose e varizes.

Graus da obesidade

A segunda forma de categorizar a obesidade é de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC). Ele é calculado dividindo o peso total da pessoa pela sua altura elevada ao quadrado. Essa fórmula serve para determinar o quanto a pessoa está acima do peso.​

Os índices indicam:

abaixo de 17 – muito abaixo do peso;

entre 17 e 18,4 – abaixo do peso;

entre 18,5 e 24,9 – peso normal;

entre 25 e 29,9 – acima do peso;

entre 30 e 34,9 – obesidade I;

entre 35 e 39,9 – obesidade II (severa);

acima de 40 – obesidade III (mórbida).


Obesidade grau 1

Sinal vermelho que costuma vir acompanhado de fadiga, dores musculares e limitações de movimentos. O trio de tratamento para esse estágio é: dieta, exercício físico e, em alguns casos, medicação. O quadro é, sobretudo, fruto de um estilo de vida consolidado ainda na infância. São hábitos que, geralmente, configuram a obesidade infantil, mas que são facilmente negligenciados nessa faixa etária. Portanto, tratar a obesidade na infância é prevenir a progressão do distúrbio na fase adulta. Agir ainda nesse grau da doença é evitar um tratamento doloroso e restritivo em um futuro próximo.

 

Obesidade grau 2

Os sintomas da obesidade passam a ser ainda mais acentuados e comprometem o bem-estar físico e psicológico do paciente. Estão associados a doenças articulares, hipertensão, diabetes mellitus, cânceres, infarto agudo do miocárdio e AVC (Acidente Vascular Cerebral).

A rotina alimentar e a prática de exercícios são a abordagem prescrita para qualquer pessoa, seja como prevenção à obesidade, seja como tratamento. No entanto, a obesidade grau II, além da dieta alimentar, exige a entrada de medicação apropriada para o paciente e até mesmo intervenção cirúrgica. A cirurgia bariátrica é uma das opções cirúrgicas geralmente indicadas pelos médicos. A terapia cuida do paciente de forma integral, por meio de uma equipe médica que orienta vias cirúrgicas ou medicamentos especializados contra a obesidade mórbida. Em geral, as pessoas obesas no grau II da doença devem encarar a questão como um sério risco à saúde. 

 

Obesidade grau 3

Por fim, o estágio que se considera um quadro ainda mais complexo é o da obesidade mórbida. Ele tem esse nome porque reflete diretamente na expectativa de vida do paciente. As patologias associadas a esse grau de obesidade são distúrbios hormonais, cardiopatias, morte súbita e insuficiência venosa. Porém, é importante dizer que a OMS adverte que a obesidade grau III é considerada a principal causa de morte evitável do mundo. Ou seja, muitas vezes ela é fruto da negligência do paciente ao longo da vida, seja banalizando a doença, seja sucumbindo aos insucessos de mudar o comportamento em fases anteriores. Por isso, nesse estágio, são de extrema importância um diagnóstico e um acompanhamento médico para redução dos graves danos dessa condição. 

 

Obesidade e Covid-19: o choque entre as pandemias

Nos meses de combate à Covid-19, muito se falou sobre os riscos da junção entre obesidade e coronavírus. Descobertas importantes acerca do vírus constataram que pessoas obesas eram mais propensas ao agravamento do quadro da doença. Ao lado dos idosos, hipertensos e diabéticos, a população obesa foi incluída no grupo de risco para a Covid-19. Para eles, o vírus tem 50% mais chances de ser fatal.

Isso porque a obesidade, como apontado no tópico acima, acarreta uma série de outras doenças e distúrbios que debilitam o organismo ao longo do tempo. Além disso, ela também dificulta os métodos de atendimento da Covid-19, como a intubação. E, infelizmente, muitos hospitais carecem dos instrumentos apropriados para o atendimento de pessoas obesas, como macas e máquinas de exames por imagem. 

 

Educação alimentar: prevenção e tratamento

Embora haja um enorme esforço dos órgãos de saúde e de movimentos sociais pela compreensão dos múltiplos aspectos da obesidade, o melhor remédio para ela ainda é preventivo. Começa com a admissão dos perigos da obesidade infantil que, de acordo com dados da OMS, já atingem 100 milhões de crianças no mundo. Ela costuma ser o primeiro passo em direção ao agravamento da doença na maturidade em razão da consolidação de hábitos não saudáveis. São condutas cotidianas vistas como irreversíveis e que ocasionam uma enorme resistência dos pacientes ao tratamento. Portanto, os cuidados em relação à obesidade passam primordialmente pelo reconhecimento da doença e, depois, pelo comprometimento com mudanças, muitas vezes radicais, no estilo de vida.​

No entanto, esse desafio deve ser acompanhado por uma equipe médica. Você não precisa encarar essa trajetória sozinho. A orientação de nutricionistas, endocrinologistas, cardiologistas e tantas outras especialidades é ótima aliada para seu planejamento cotidiano. Além disso, a ajuda profissional reduz as chances de tentativas frustradas que possam acentuar as dificuldades com o tratamento. 


Equipe multidisciplinar para atendimento

O Hospital Brasília Unidade ​Águas Claras possui atendimento e exames adequados para quem procura acompanhamento médico para quadros de obesidade. Faça seu agendamento pelo número (61) ​3052-4600 e comece hoje mesmo os cuidados com você!​


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