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Transplante Haploidêntico - Esperança para todos

Para o tratamento de certas doenças hematológicas, muitas vezes é necessário o Transplante de Medula Óssea. No entanto, encontrar um doador é um desafio.


 

Dra. Andresa Melo - Hematologista do Hospital Brasília


Para o tratamento de algumas doenças hematológicas, como leucemias e linfomas, muitas vezes é necessária a realização do Transplante de Medula Óssea. Nesse cenário, um dos maiores desafios é a disponibilidade de doador totalmente compatível com o paciente. A chance de um paciente ser 100% compatível com um irmão, filho do mesmo pai e da mesma mãe, é de somente 25%.

Quando o paciente não tem irmãos compatíveis, é realizada a busca por doadores voluntários em bancos nacionais e internacionais. A chance de se encontrar um doador compatível nesses bancos gira em torno de um em cem mil doadores cadastrados.

Herança genética

Diante desse enorme entrave, nos últimos anos foram aperfeiçoadas técnicas de transplante utilizando fontes alternativas de células, tais como sangue de cordão umbilical e placenta e doadores incompatíveis. De forma geral, todos os indivíduos herdam metade do material genético da mãe e metade do pai. A carga genética herdada de cada um é conhecida como haplótipo. Todos temos um haplótipo materno e um haplótipo paterno.

Atualmente, é possível realizar transplantes com doadores haploidênticos (que tem somente um haplótipo em comum com o paciente), que podem ser irmãos, pai, mãe ou outro membro da família, cuja compatibilidade gira em torno de 50%. O teste realizado é a avaliação do HLA em uma amostra simples de sangue, que é o mesmo exame utilizado na busca de doadores idênticos.

Esperança renovada

Diagnosticada com anemia aplástica grave, Luciene Ferreira de Souza Alves, de 46 anos, encontrou no transplante haploidêntico a sua chance de cura. Em dezembro de 2017 descobriu a doença e iniciou em janeiro de 2018 o tratamento com medicação, mas sem sucesso. Sete meses depois, Luciene e a equipe médica cogitaram a possibilidade de realizar o transplante.

Dos nove irmãos, dois eram 50% compatíveis e aptos para realizarem o transplante. No dia 24 de maio de 2019, o procedimento foi realizado com sucesso no Hospital Brasília, primeira instituição privada do Distrito Federal a realizar esse tipo de transplante.

Doação das células

A doação das células ocorre da mesma forma que nos transplantes de medula habituais, e pode ser realizada a partir da coleta de células tronco do sangue periférico (após estimulação com medicamentos) em um procedimento chamado aférese ou por punções diretamente na medula óssea do doador. A fonte utilizada depende da doença do paciente, características do doador e decisão médica. Como a medula é 100% renovável, a doação é considerada segura para quem doa e os efeitos são leves e de fácil controle.

Nessa estratégia, após serem infundidas no paciente, as células doadas são inativadas com doses de quimioterapia, que age inibindo os linfócitos T do doador e reduzindo o risco de rejeição. Assim permanecem ativas somente as células tronco que produzirão as células sadias do sangue.

A modalidade de Transplante de Medula Óssea Haploidêntico é inovadora e abre um novo caminho de possibilidades para pacientes com doenças graves fatais cuja única saída é a realização do transplante. Os resultados são bastante animadores e muito semelhantes aos transplantes realizados com doadores totalmente compatíveis.

No Brasil, a mistura de raças dificulta a localização de doadores voluntários totalmente compatíveis, mas o REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) é o terceiro maior banco de doadores do mundo e já conta com quase 4 milhões de voluntários cadastrados. Para se tornar um doador, basta entrar em contato com o Hemocentro do seu estado.




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