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Queimaduras: redobre a atenção durante a quarentena

Aplicar algumas substâncias no local da queimadura (manteiga, gelo, pó de café) é prejudicial para a lesão

​Desde que nos vimos condicionados a criar novas configurações de vida por causa da Covid-19, passar longos períodos d​entro de casa e realizar mais tarefas domésticas se tornou consequência comum a quase todas as famílias. Você sabia que esses fatores combinados acabam resultando em um risco maior de acidentes, principalmente os que envolvem queimaduras?

Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), mesmo antes da pandemia, já era sabido que cerca de 70% dos acidentes com queimadura acontecem em casa, e 40% se dão em crianças. O próprio álcool gel 70%, recomendado para a higienização das mãos, de superfícies e embalagens durante esse período, é um produto altamente inflamável quando perto de chamas. Por isso, hoje exploramos as vertentes desse assunto, explicando a diferença entre os graus de queimadura e quais são os cuidados necessários imediatamente após um incidente desse tipo.

Afinal, o que são queimaduras?

Queimaduras são danos na pele ou em outros tecidos resultantes dos mais variados fatores, como contato com fogo, líquido fervente, vapor, objetos muito quentes, correntes elétricas, radiação, luz solar ou outras fontes de radiação ultravioleta e produtos químicos (como ácidos fortes, soda cáustica, diluente ou gasolina). Até mesmo alguns animais e plantas podem gerar queimaduras, como larvas, água-viva e urtiga.

Esse tipo de incidente pode ser uma ocorrência simples e de fácil resolução ou pode configurar uma emergência médica com risco de vida. Tudo depende da localização da lesão e se a queimadura atingiu apenas a camada mais superficial da pele ou a mais profunda, comprometendo, nesse caso, os músculos e os ossos.

Queimaduras graves podem resultar em complicações como infecções bacterianas; perda de líquidos (inclusive sangue); hipotermia; cicatrizes ou áreas do corpo estriadas; queloides; danos nos ossos e nas articulações (contraturas) e problemas respiratórios, no caso de ingerir ar quente ou fumaça.

Primeiro, segundo e terceiro graus: qual é a diferença?

Queimadura de 1º grau: esse tipo de queimadura afeta apenas a camada externa e mais superficial da pele (epiderme), podendo causar vermelhidão, calor e dor. Geralmente, pode ser tratada em casa.

Queimadura de 2º grau: é uma queimadura mais intensa, que afeta tanto a epiderme quanto a segunda camada de pele (derme). Pode causar dor forte, inchaço e pele vermelha, branca ou manchada, em grande parte com bolhas.

Queimadura de 3º grau: se a queimadura atinge a camada abaixo da derme ela é de terceiro grau. Nesse caso, a pele fica com cor preta, marrom ou branca. As áreas queimadas podem ficar semelhantes a couro e com dormência, por causa da destruição dos nervos da região pelo agente causador da queimadura, inclusive, por esse motivo, podem ser indolores, mesmo acometendo todas as camadas da pele. Essa queimadura pode atingir os músculos e causar deformidades graves. Em geral, há necessidade de internação hospitalar, pois ela costuma causar manifestações sistêmicas, como desequilíbrio dos níveis de sódio, potássio e/ou cálcio e desidratação. Muitas vezes, é preciso retirar os tecidos necrosados e realizar limpeza e enxertos.

O que fazer imediatamente após uma queimadura?

Em primeiro lugar, interrompa o contato com a fonte da queimadura, mergulhe a área queimada em água corrente o mais rápido possível, para resfriar o local e aliviar a dor imediatamente após a lesão. Se a roupa do corpo estiver pegando fogo, jogue água para apagá-lo e, em seguida, retire ou corte o tecido da área lesionada – caso a roupa tenha colado na pele, não tente tirá-la e vá direto para o hospital. Cubra a queimadura com uma gaze estéril ou um pano limpo e seco. Se o ferimento for mais sério do que uma queimadura superficial (1º grau), busque atendimento médico urgente.

Não coloque pasta de dente, manteiga, graxa, pó de café ou qualquer outra substância sobre a queimadura em nenhuma hipótese – essas substâncias podem, na verdade, piorar a lesão. Também não use gelo no local, pois pode atrasar a cicatrização, nem o esfregue, para evitar a formação excessiva de bolhas. Não toque na queimadura com as mãos, não tente descolar tecidos ou elementos estranhos grudados na pele queimada e nunca fure as bolhas.

Nas queimaduras de primeiro grau, a vaselina líquida mantém a pele hidratada e o filtro solar pode proteger a região – já sensibilizada – dos raios solares. Se julgar necessário, tome um analgésico. Se a lesão for branda, continue fazendo compressas frias nas próximas horas após a ocorrência.

É possível se prevenir

– Nunca deixe itens cozinhando no fogão sem supervisão e sempre coloque o cabo da panela voltado para trás.

– Não segure um bebê enquanto usa o fogão.

– Mantenha líquidos quentes fora do alcance de crianças e animais de estimação.

– Deixe os aparelhos elétricos sempre longe da água.

– Nunca cozinhe com roupas folgadas, que possam pegar fogo.

– Desconecte os dispositivos que esquentam (ferro de passar roupa, grill etc.) quando não estiverem em uso e guarde-os fora do alcance dos pequenos.

– Se você é fumante, nunca fume na cama.

– Tenha um extintor de incêndio em cada um dos andares da sua casa.

– Mantenha produtos químicos/inflamáveis, como isqueiros e fósforos, fora do alcance das crianças. 

O atendimento emergencial é fundamental nesses casos

É imprescindível levar o paciente a uma emergência hospitalar se a queimadura penetrar em todas as camadas da pele, se a pessoa acometida for uma criança ou um idoso, se a queimadura atingir grandes extensões do corpo e for decorrente de substâncias químicas ou eletricidade e/ou se a pele apresentar uma aparência carbonizada, com manchas brancas, marrons ou pretas.


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