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Janeiro Branco: comece o ano focando na sua saúde mental

A saúde mental inclui nosso bem-estar emocional, psicológico e social

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No ano que se passou nem todos foram capazes de controlar o estresse psicológico, a insegurança e o medo criados pela pandemia da Covid-19. Essa situação, somada às novas regras necessárias para controlar o avanço do novo coronavírus, acabaram levando ao agravamento de condições patológicas pré-existentes em inúmeras pessoas. Algumas delas, já cientes de que estavam diante de sintomas de ansiedade ou depressão, por exemplo, conseguiram buscar ajuda profissional.

Por outro lado, quantas pessoas enfrentaram (e ainda enfrentam) os desdobramentos de um transtorno mental sem possuir nenhum conhecimento sobre como lidar com tais esferas psicológicas?

“Este período tornou tudo mais delicado. Afinal, o distanciamento social, o trabalho remoto e a impossibilidade de sair de casa forçaram muitas pessoas a ter que encarar situações das quais antes conseguiam se blindar de alguma maneira", comenta a Dra. Carolina Tajra, psiquiatra do Hospital Brasília.

“Não há saúde se não houver saúde mental" – OMS

Para começar o ano com chave de ouro é preciso destacar a importância de cuidar de um aspecto que influencia totalmente a forma como pensamos, sentimos e agimos: a nossa saúde mental. Pessoas que enfrentam problemas nesse aspecto da vida costumam ter seu pensamento, humor e comportamento negativamente afetados. A parte delicada é que, muitas vezes, a causa dos transtornos psicológicos não é bem definida, podendo ir desde fatores biológicos, como genes ou química do cérebro, até experiências de vida, como um trauma ou abuso. Ter um histórico familiar de problemas de saúde mental também pode influenciar consideravelmente.

Daí a importância do Janeiro Branco! A iniciativa surgiu em 2014, fruto da ideia de um grupo de psicólogos de Minas Gerais, uma vez que, segundo os próprios, o primeiro mês do ano é encarado pela maioria das pessoas como um mês de renovação, reflexão e avaliação da própria vida. A partir disso, a campanha possibilita incentivar o diálogo sobre esse assunto – que, infelizmente, ainda é visto por muitos com preconceito ou como um motivo para vergonha –, além de disseminar as possibilidades de auxílio profissional, de forma a reabilitar a saúde mental e o bem-estar desses pacientes.

Entenda quais são os transtornos mentais mais comuns

Existem inúmeros tipos de transtornos mentais, mas temos percebido um aumento significativo em alguns quadros, que acabaram se tornando mais comuns na sociedade:

             Transtornos de ansiedade

Quando o paciente entra em um estado permanente de ansiedade e preocupação excessivas, não relacionado a um objeto ou situação específica. É uma questão que atinge todos os aspectos da vida profissional, familiar, emocional e social, podendo ter consequências indesejadas na vida diária. Muitas vezes é acompanhada por fadiga, tensão muscular, dores de cabeça e / ou dores abdominais, agitação, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e mau humor.

             Depressão (ou transtornos depressivos)

Cada vez mais presente na sociedade atual, a depressão é caracterizada por um constante humor triste, perda de interesse por qualquer atividade e queda de energia. Esses sintomas podem ser acompanhados por um declínio na autoestima e autoconfiança, culpa injustificada, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, perda de apetite e desejo sexual, dor física e, em alguns casos, pensamentos de suicídio.

             Transtorno bipolar

Esse paciente sofre fortes alterações de humor, vivenciando fases de grande excitação, seguidas de períodos de depressão, intercalados com momentos de estabilidade. Nas chamadas fases maníacas (quando a pessoa está excessivamente feliz) pode ocorrer uma grande aceleração do pensamento, um aumento da atividade física e da vontade de falar, dificuldade de concentração, diminuição da necessidade de dormir e sintomas afins. Por outro lado, as fases depressivas são caracterizadas por tristeza, perda de interesse, fadiga, apetite e / ou distúrbios do sono, perda de autoestima, dificuldade de concentração, pensamentos negativos ou pensamentos suicidas. Em alguns casos, também ocorrem sintomas psicóticos, como pensamentos delirantes ou alucinações.

             Esquizofrenia

Nesse quadro ocorre uma perda da unidade psíquica: o pensamento fica confuso, a fala às vezes é ilógica e/ou difícil de seguir e as emoções expressas não têm relação com a realidade. O paciente costuma apresentar uma falsa percepção da realidade, como se visse, ouvisse ou percebesse coisas que não existem. Ele também pode sentir que está sendo perseguido ou que seus pensamentos estão sendo ouvidos pelos demais. Pensamentos, sensações e visões costumam ser acompanhados por forte angústia, que pode impactar totalmente sua vida social e causar um grande sofrimento.

             Distúrbios alimentares

Os dois tipos mais comuns são a anorexia e a bulimia. No primeiro, o paciente provoca uma perda de peso excessiva e intencional, através da baixa ou nenhuma ingestão de alimentos. Já o segundo é caracterizado pela ingestão repetida de grande quantidade de alimentos em um curto espaço de tempo, o que, posteriormente, faz a pessoa sentir necessidade de induzir o vômito ou a usar produtos laxantes para eliminar o que comeu.

Como tratar a saúde mental?

Existem diversas formas de controlar o desenvolvimento de problemas de saúde mental. Antes de mais nada é recomendável obter ajuda profissional, através da análise e do acompanhamento com um psicanalista, psiquiatra ou psicólogo. Esses especialistas serão capazes de intervir no quadro da maneira correta, desenvolvendo habilidades de enfrentamento junto ao paciente e conduzindo-o a um estado mental mais tranquilo e otimista, da melhor forma possível.

Alguns comportamentos pessoais podem fazer toda a diferença para a pessoa que sofre com um transtorno mental, como conectar-se com outras pessoas, tentar ao máximo manter uma atitude positiva, estar fisicamente ativo, buscar apoio e dormir o suficiente.

Um detalhe essencial, que vale ser ressaltado, principalmente se você for familiar ou amigo de uma pessoa que lhe expôs um problema relacionado à esfera psicológica, é evitar a minimização das dificuldades, através de comentários como "Há quem está pior" ou "Você deveria ser grato pela vida" ou “Existem outras coisas maiores para se preocupar", daí por diante. Esse comportamento é absolutamente contraproducente, pois aqueles que sofrem com dificuldades ou problemas psicológicos estão, na maioria das vezes, perfeitamente cientes de tudo isso, o que não significa que devam ser menosprezados ou desconsiderados em relação à luta que enfrentam. Essa é a hora de demonstrar todo o seu apoio, amor e acolhimento.

“Saber procurar ajuda especializada é um passo importante para buscar o equilíbrio mental", finaliza a médica. ​


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