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IMC pode determinar risco para à Covid-19

Índice de Massa Corpórea desempenha um papel importante na designação de quem precisará de cuidados intensivos durante a pandemia

O Índice de Massa Corpórea (IMC) de uma pessoa é calculado através do seu peso dividido pela altura ao quadrado. Esse resultado pode determinar a existência das condições de sobrepeso e obesidade, seguindo as seguintes classificações: IMC entre 25,0 e 29,9 Kg/m2: sobrepeso. IMC entre 30,0 e 34,9 Kg/m2: obesidade grau I. IMC entre 35,0 e 39,9 Kg/m2: obesidade grau II. Mas, porque assunto requer tanta atenção neste momento?

Sabemos que a obesidade é considerada um fator de risco para diversas doenças, como dia​betes, doenças cardiovasculares e complicações pulmonares. Diante disso, em meio à pandemia viral que enfrentamos, surge o questionamento: pessoas com obesidade também apresentam maiores riscos de se infectarem com o novo coronavírus?

Obesidade x Co​vid-19

A resposta é sim. A obesidade, como qualquer doença que baixe a imunidade, é considerada um fator de risco neste caso. Inclusive, pode propiciar um desenvolvimento da forma grave, não só da Covid-19, mas de qualquer outra infecção respiratória ou pneumonia. Isso porque, se acometido pelo vírus, o corpo da pessoa obesa passa a lutar contra dois quadros diferentes: o processo crônico de baixo grau inflamatório relativo à obesidade e o coronavírus em si, que também resulta em processos inflamatórios.

“A obesidade, através do tecido adiposo, libera substâncias inflamatórias para hiper-reação da defesa do organismo, levando-o a um estado de alerta inflamatório constante, fato que diminui a imunidade do indivíduo. Além disso, no caso da Covid-19, a presença do vírus no sangue ainda causa uma reação inflamatória que depende da reação do hospedeiro, afetando a hemoglobina, levando a uma má oxigenação e resultando em um organismo doente. Por isso essa inflamação se torna mais severa e na obesidade, afinal, há um problema na complacência pulmonar, além da dificuldade mecânica da expansão dos pulmões”, explica a Dra. Jamilly Drago, endocrinologista do Hospital Brasília.

Segundo a médica, outras condições, geralmente comuns aos pacientes com obesidade, que podem causar preocupação se associadas a uma infecção pela Covid-19 são: a apneia do sono, problemas cardíacos e diabetes.

Estudos recentes desenvolvidos pela Universidade de Nova York (EUA) posicionam a obesidade como o maior fator de risco para jovens – mesmo quando não apresentam outro problema de saúde. Além disso, foi comprovado que esses pacientes têm um risco maior de internação numa UTI e duas vezes mais probabilidade de serem hospitalizados.

A relevância do Índice de Massa Corpórea nos estudos atuais

Dados emergentes demonstram que o Índice de Massa Corpórea (IMC) pode ser um fator determinante, definindo a gravidade do quadro clínico do paciente. Aparentemente, essa interação já havia sido notada anteriormente em outras enfermidades, mas nunca de modo tão severo e significativo. Segundo a Dra. Jamilly Drago, no Hospital Brasília, houve a ocorrência de um grupo de pacientes mais jovens que 60 anos acometidos pela Covid-19, no qual o único fator em comum era o IMC elevado.

“Em pessoas com IMC superior a 30 Kg/m², a reação inflamatória gerada pelo tecido adiposo e disbiose eleva a uma instabilidade no sistema imunológico, fato que pode resultar em uma resposta tardia contra o novo coronavírus”, complementa a médica.

A lista de indivíduos de alto risco dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, uma importante agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, inclui as pessoas em estado grave de obesidade, ou seja, que apresentam um Índice de Massa Corpórea acima de 40 Kg/m2. Se antes os estudos sobre a Covid-19 se baseavam especialmente em índices demográficos, como idade, sexo e raça, alguns agora estão começando a rastrear o IMC dos pacientes acometidos pelo vírus, de acordo com o portal Science News.

Resultados obtidos através da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico 2018 (Vigitel), apontam que 19,8% da população brasileira apresenta Índice de Massa Corpórea acima de 30 Kg/m2. Houve um aumento de 67,8% nas taxas de obesidade no país, entre 2006 e 2018, o que é preocupante, uma vez que esses números configuram os maiores índices desde 2013.

Um hospital em Lille, na França, também descobriu que quanto maior o IMC, maior a probabilidade de o paciente precisar de suporte ventilatório para auxiliar no processo respiratório. Dos 124 pacientes admitidos em terapia intensiva para a Covid-19, quase metade eram classificados com obesidade grau I, II ou III, relataram pesquisadores. Dos 85 pacientes que foram intubados, quase 90% apresentavam um IMC acima de 35 Kg/m2, de acordo com os dados.

Todo cuidado é pouco

Diante todos esses dados, a endocrinologista do Hospital Brasília ressalta a necessidade de o paciente com obesidade levar a sério o isolamento social nesse momento, e redobrar os cuidados com a higiene das mãos e o uso de mascaras, caso haja necessidade de quebrar a quarentena. “Como já comentamos anteriormente, esse grupo apresenta maior risco de desenvolver a forma grave da Covid-19, além da significativa taxa de mortalidade entre os pacientes mais jovens”, complementa Jamilly.

Também é fundamental se preocupar com a alimentação, mantendo horário bem estabelecidos para as refeições e tendo muita atenção nas escolhas dos alimentos. É recomendado praticar qualquer tipo de exercício físico em casa, por pelo menos 30 minutos, de 3 a 4 vezes por semana. Cuide-se bem e fique fora das estatísticas letais do novo coronavírus!


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