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Fígado gorduroso: como evitar essa doença silenciosa e perigosa

No Dia Nacional de Combate à Gordura no Fígado explicamos como combater essa condição

No Dia Internacional de Combate à Gordura no Fígado é preciso alertar a população sobre os hábitos negativos que promovem essa complicação e que devem ser evitados, em prol da saúde e pleno funcionamento desse órgão vital. Uma vez que envolve o acúmulo de gordura, não é difícil imaginar os fatores que podem favorecer sua ocorrência: sobrepeso, obesidade, sedentarismo, diabetes, má alimentação, colesterol alto, pressão alta, entre outros. O consumo excessivo de álcool também é um agente agravante.

Essa condição, conhecida na medicina por esteatose hepática, pode desencadear cirrose e até câncer, havendo chances de ser fatal. Felizmente, porém, o quadro pode ser modificado (especialmente em fases mais precoces) se o paciente adotar um estilo de vida mais saudável, seguindo sempre as devidas orientações médicas.

Entenda como ocorre essa complicação

A esteatose hepática, ou infiltração gordurosa no fígado, é definida como um acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. O resultado inicial é um fígado aumentado de volume e mais pesado. “O depósito de gordura excessivo pode desencadear um processo de inflamação (esteatohepatite). Quando o fígado sofre qualquer processo inflamatório persistente, por um longo período de tempo, ocorre progressivamente substituição do tecido normal do fígado por fibrose (cicatrizes) que podem levar a cirrose”, explica a Dra. Natália Trevizoli, hepatologista do Hospital Brasília.

Além disso, a médica afirma que esses pacientes ainda têm risco de no futuro desenvolverem doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer (destacando-se tumores primários do fígado – chamados de hepatocarcinoma).

Essa condição pode ter muitas causas, incluindo elevado consumo de álcool (esteatose alcoólica), infecções virais, doenças genéticas, uso de medicamentos e alterações endócrinas e metabólicas. Grande parte dos casos de esteatose está diretamente associada à obesidade, aumento da gordura abdominal, dislipidemia (alteração das gorduras do sangue, triglicérides e colesterol), hipertensão arterial e diabetes mellitus. Chamamos a esteatose ligada a um ou mais desses fatores metabólicos de Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA).

Pessoas com síndrome do ovário policístico, hipotireoidismo, síndrome metabólica, apnéia do sono e gordura corporal concentrada no abdômen têm maior tendência ao desenvolvimento da esteatose hepática, de acordo com o Ministério da Saúde.

Quais são os sintomas do fígado gorduroso?

De acordo com a médica especialista, essa condição é muito frequente e pode acometer até um em cada três brasileiros adultos. No entanto, quase sempre é silenciosa, isto é, não apresenta nenhum tipo de sintoma. “Isso torna a doença perigosa, pois pode evoluir silenciosamente e culminar com um diagnóstico em fases mais avançadas”, complementa a Dra. Natália.

O diagnóstico da presença de gordura no fígado é habitualmente feito em exame de ultrassonografia abdominal. Os testes bioquímicos hepáticos podem ser normais ou elevados.

Para definir a causa da esteatose é necessária a avaliação de um hepatologista, que por meio do exame físico do paciente, de exames de sangue e de imagem, também definirá o impacto no fígado (por exemplo, se já existe fibrose ou cirrose). Pode ser necessária a realização de biópsia do fígado em alguns casos. Hoje em dia, também dispomos de métodos não invasivos de avaliação de fibrose, que também podem ser solicitados.

Em casos muito avançados, o paciente pode ter sintomas decorrentes do funcionamento inadequado do fígado, como icterícia (cor amarelada na pele, nas mucosas e nos olhos) e ascite (acúmulo de líquido no interior do abdome). Nestes quadros, o médico pode avaliar a necessidade de transplante hepático.

Qual é o tratamento?

Os pilares do tratamento são as modificações dos hábitos de vida:

-Alimentação saudável: consumo adequado de vegetais, fibras, proteínas magras. Evitar consumo excessivo de açúcares (carboidratos e frutose industrial). Dieta idealmente supervisionada por nutricionista.

-Prática regular de atividade física, com exercícios aeróbicos e de resistência. Muitos fatores de risco para a esteatose são também fatores de risco para doença cardiovascular, por isso orientamos avaliação cardíaca antes de iniciar um programa de exercícios, especialmente nos pacientes com fatores de risco.

-Para pacientes com sobrepeso ou obesos, recomenda-se perda de peso (cerca de 10% já pode ter impacto positivo na doença hepática).

-Controle do diabetes, da pressão arterial e dos níveis de colesterol e triglicerídeos é indispensável.

-Evitar consumo abusivo de álcool.

-Evitar uso de medicações e chás sem receita médica.

-O tratamento farmacológico específico com drogas que diminuem a inflamação (esteatohepatite) pode ser necessário, devendo ser avaliado individualmente pelo seu médico.

Novidade sobre o assunto: o café pode ajudar!

De acordo com a hepatologista do Hospital Brasília, Dra. Natália Trevizoli, alguns estudos mais recentes mostram efeito benéfico do consumo de café na evolução de algumas doenças hepáticas, geralmente com uso de 1 a 3 xícaras por dia.

“No entanto, é importante lembrar que as principais mensagens para uma boa saúde do fígado continuam sendo reduzir a quantidade de álcool ingerida, ter uma dieta adequada, fazer exercícios regulares e manter um peso saudável. Para os pacientes já portadores de alguma alteração hepática, inclui-se manter seguimento regular com hepatologista”, ressalta a especialista.

Não negligencie os cuidados com a saúde do fígado. E lembre-se: apenas o médico pode avaliar, diagnosticar e indicar o melhor tratamento para cada caso.

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