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Fígado: A Maior Glândula do Organismo

O fígado é considerado a maior glândula do organismo e tem várias funções fundamentais para o funcionamento do corpo.


Dra. Natália Trevizoli - Hepatologista do Hospital Brasília

O fígado se localiza do lado direito do abdome, e é considerado a maior glândula do organismo. É um órgão com várias funções fundamentais para o funcionamento do corpo, entre elas: secretar bile, que auxilia na digestão de lipídeos (gorduras); armazenar glicose na forma de glicogênio, o que tem papel importante no equilíbrio energético; produzir proteínas, como a albumina e as proteínas que participam da coagulação do sangue; desintoxicar o organismo (transformando hormônios ou medicamentos em substâncias que podem ser excretadas pelos rins ou pela bile); sintetizar colesterol (que posteriormente é excretado pela bile); filtrar microrganismos provenientes da circulação intestinal; transformar amônia em ureia.

Quais são as principais causas de doenças no fígado?

As doenças no fígado podem ser genéticas ou secundárias a hábitos de vida. Dentre elas, destacam-se as relacionadas a uso abusivo de álcool, infecções (hepatite B e hepatite C), esteatose hepática (“gordura no fígado”), doenças autoimunes, dentre outras.

Cirrose hepática é sempre consequente a uso de álcool?

Não. Cirrose é o processo final de toda doença crônica do fígado. Quando este órgão sofre qualquer processo inflamatório persistente (hepatite crônica) por um longo período, ocorre a substituição do tecido normal do fígado por cicatrizes (fibroses), que podem evoluir até o estágio de cirrose.

Quais são os sintomas mais comuns nas doenças do fígado?

Na realidade, na maioria dos casos o paciente não tem qualquer sintoma antes de uma fase muito avançada da doença. É comum o diagnóstico ser decorrente de alterações nos exames de sangue ou imagem (como ecografia de abdome) realizados por outros motivos.

Nas hepatites agudas, os sintomas mais comuns são fadiga, náuseas ou vômitos, icterícia (olhos e pele amarelados devido ao acúmulo de bilirrubina), febre. Em casos muito graves (hepatite fulminante), o fígado perde abruptamente a capacidade de exercer suas funções, e ocorre uma alteração neurológica chamada encefalopatia hepática. Estes pacientes devem ser avaliados para transplante de fígado.

Já na cirrose descompensada, os sintomas mais comuns são: icterícia, ascite (“água na barriga”) e edema, hemorragia digestiva secundária ao rompimento de varizes no esôfago ou estômago (que surgem pelo aumento de pressão na veia porta, que leva o sangue do intestino e do baço para o fígado) e encefalopatia hepática (caracterizada geralmente por lentificação, sonolência, confusão mental). A presença de cirrose hepática também aumenta o risco de surgimento de câncer de fígado.

Como é realizado o tratamento?

O tratamento varia a depender da causa da doença, ou seja, do que agrediu o fígado. No caso de doença por álcool, o paciente deve cessar completamente a bebida. Nos casos de hepatite B ou C, existem medicamentos específicos para o controle ou cura do vírus. No caso da esteatose, é importante melhorar o estilo de vida e tratar as alterações que muitas vezes vem associadas (como diabetes, obesidade, colesterol alto).

As complicações também têm tratamento específico, como por exemplo diuréticos nos casos de ascite e edema, betabloqueadores e ligadura de varizes por endoscopia nos casos de sangramento. Em alguns casos indica-se o transplante de fígado, que é o melhor tratamento para as doenças do fígado em fase avançada e quando não há mais resposta ao tratamento clínico.
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Como posso prevenir uma doença no fígado?

Como sempre, a prevenção é o melhor remédio, e existem algumas medidas que podem reduzir a chance de evoluir com doença no fígado. São elas:

– Evitar consumo abusivo de álcool.
– Manter estilo de vida saudável e peso ideal (alimentação balanceada, prática regular de atividade física).
– Evitar comportamento de risco (uso de drogas ilícitas, relação sexual sem preservativo, compartilhamento de objetos pérfuro-cortantes como alicates de unha e lâminas de barbear).
– Atualizar cartão de vacinas (incluindo hepatite A e B).
– Uso correto de medicações (na dose e pelo tempo prescritos), evitar automedicação (incluindo uso de chás medicinais, suplementos e medicamentos naturais).
– Evitar contato com sangue e fluidos corporais de outras pessoas.

Mas atenção: o papel de diagnosticar e tratar é sempre do médico. Na suspeita de doença do fígado, procure sempre um hepatologista.


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