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Cardiopatas estão entre os mais vulneráveis à Covid-19

Sim, a infecção pelo novo coronavírus também afeta o coração e pode comprometer suas funções

O novo coro​navírus (SARS-Cov-2) tem efeitos sistêmicos, dentre outras maneira, causando inflamação e aumento do risco de tromboses, podendo afetar não apenas o coração mas uma série de outros órgãos.

A mortalidade geral da Covid-19 varia muito entre cada país, dependendo de vários fatores, como a fase da epidemia em que o país se encontra, a proporção da população geral que é testada, a efetividade das notificações, capacidade dos sistemas de saúde, bem como das políticas governamentais.

Os denominados grupos de risco para essa doença são compostos por pessoas que apresentam maior vulnerabilidade caso sejam infectadas pelo novo coronavírus. São aquelas que possuem um ou mais de fatores como: sexo masculino, idosos (aumento progressivo do risco com a idade), diabéticos, hipertensos e obesos, além daqueles que já possuam doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares – nesse caso, a mortalidade pode ser de 5 a até 20 vezes maior do que na população geral.

Por que os cardiopatas são mais vulneráveis?

Foi observado que uma considerável proporção dos pacientes com Covid-19, mesmo tendo o coração previamente normal, desenvolveu danos cardíacos e vasculares por efeito direto da doença, levando ao aumento significativo da mortalidade intra-hospitalar. Um destes efeitos danosos é a formação de trombos (coágulos) em várias regiões do organismo, que podem levar tanto à ocorrência de infarto agudo do miocárdio (“infarto do coração”), como de trombose venosa profunda (“trombose nas pernas”) e tromboembolismo pulmonar (embolia nos pulmões”).

Soma-se à esses fatos a ocorrência de arritmias cardíacas de vários tipos, incluindo formas graves, bem como de hipotensão e choque (“pressão baixa ou muito baixa”), miocardite (inflamação no músculo do coração”), insuficiência cardíaca (“coração fraco”), infarto e morte súbita, que complicam e muito a evolução dos pacientes, aumentando o risco de morbidade e mortalidade. Esses quadros podem se manifestar mesmo em pacientes que não sejam cardiopatas, ou seja, aqueles que já possuíam previamente doenças cardíacas têm riscos ainda maiores.

Procurar atendimento médico urgente é indispensável nesses casos

Em meio às atuais recomendações de isolamento social, fundamentais para contar a disseminação do novo coronavírus, chamamos a atenção para um fato. A mortalidade causada por quadros como o infarto e a insuficiência cardíaca tem aumentado, pois os pacientes cardiopatas, com medo de se exporem à infecção em questão, têm procurado o hospital de forma mais tardia, aumentando o risco de complicações, intensificando a gravidade do quadro e piorando seu prognóstico – fatos que poderiam ter sido evitados caso houvesse assistência médica precocemente.

“Temos visto cada vez mais relatos, no mundo todo, de casos assim. Desta forma, é importante chamar a atenção para que, na presença de sinais de alerta, como dor no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, as costas ou mandíbula, principalmente se associada à sudorese fria, náuseas, tonteiras ou falta de ar, deve-se procurar imediatamente um hospital. Tais orientações servem para toda a população, embora sejam ainda mais vitais para pacientes que já possuem cardiopatia”, acentua o cardiologista do Hospital Brasília, Dr. Leandro Valim. Assim sendo, lembre-se: na dúvida, melhor procurar o hospital mais próximo, para que seja avaliado corretamente.

Além disso, os pacientes cardiopatas precisam de um contato mais frequente com seu médico, para que se possam manter suas doenças de base bem controladas. No contexto da Covid-19, o Hospital Brasília tem explorado a disponibilização de recursos de Telemedicina, através da qual se permite a avaliação e orientação médicas à distância, otimizando tratamentos ao mesmo tempo que se evita a exposição dos grupos de risco mais vulneráveis. “Tenho usado esse recurso cada vez mais com meus pacientes, podendo observar na prática o impacto positivo na evolução clínica destas pessoas”, pontua o médico.

O estresse também pode ser nocivo ao coração

Neste período de pandemia, cada vez mais temos tido acesso a uma enorme quantidade de notícias alarmantes, com o aumento exponencial de casos pelo mundo, observando-se diversos efeitos danosos do SARS-Cov-2. Esse contexto gera uma pressão muito grande na população, desencadeando níveis elevados mantidos de estresse, culminando em um aumento importante de casos de distúrbios de ansiedade e depressão, por exemplo.

“Tais condições causam elevação de hormônios e demais substâncias, como o cortisol, a adrenalina e a famosa ‘tempestade de liberação de citocinas’, que afetam nossa saúde como um todo, incluindo nosso sistema cardiovascular, aumentando o risco de eventos cardíacos e cerebrovasculares, além de outras doenças”, afirma o Dr. Leandro.

Quais cautelas são essenciais nesse momento?

Além dos cuidados gerais, orientados pela OMS, pelo maior risco ao qual estão expostos, os pacientes cardiopatas devem ser ainda mais rigorosos quanto às orientações de isolamento social. Além disto, é fundamental que continuem tomando suas medicações regularmente, não alterando nada sem orientação do seu médico. “Alguns artigos sugeriram, por análises in vitro, que algumas medicações utilizadas por pacientes cardiopatas pudessem causar uma evolução desfavorável no caso da infecção pela Covid-19. No entanto, as sociedades Americana, Europeia e Brasileira de Cardiologia publicaram orientações afirmando que tais suposições não foram confirmadas e que as medicações devem ser mantidas em uso normalmente”, destaca o cardiologista do Hospital Brasília.

Além disso, aqueles que já vinham praticando atividade física, com orientação médica, devem continuar se exercitando, porém, lembrando de adaptarem suas atividades para que as orientações da OMS sejam seguidas. Por fim, Dr. Leandro Valim ressalta: “Alguns poucos casos de Covid-19 apresentam evolução catastrófica, com necessidade de intubação, ventilação mecânica (“respiração por aparelhos”) avançada, uso de altas doses de medicamentos para manter a pressão, além da necessidade de hemodiálise, por exemplo. Tais casos apresentam altíssimo risco de mortalidade mas, com os cuidados adequados, podemos oferecer uma chance real de sobrevivência e recuperação total”.


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