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Câncer de mama: ele pode atingir mulheres de diferentes faixas etárias?

Apesar de mais incidente em mulheres com mais de 60 anos, a neoplasia também pode acometer mulheres mais jovens.

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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), só em 2020, o Brasil registrou mais de 66 mil novos casos de câncer de mama. Na área de saúde da mulher, a partir dos 40 anos, a mamografia é procedimento obrigatório para detectar e rastrear possíveis tumores. O que pode ser novidade, no entanto, é o fato de que mulheres mais jovens também podem desenvolver a doença. Entenda.


O que é o câncer de mama?

Um câncer é caracterizado pela multiplicação anormal de células em determinada parte do corpo, neste caso, na mama.  


Quais os principais sintomas do câncer de mama?

O aumento nas buscas por esse assunto revela uma preocupação por parte do público feminino. Muitas mulheres querem saber, principalmente, quais são os sintomas do câncer de mama. Quanto a isso, a Dra. Rafaela Veloso, Oncologista Clínica, explica que em diversos casos é possível identificar a neoplasia através dos seguintes sinais:

⦁ nódulo: o “caroço” fixo e indolor é a principal manifestação;

⦁ variações na aparência da mama: avermelhada, assimétrica, retraída ou com aspecto de casca de laranja;

⦁ alterações no bico do peito;

⦁ secreção que vaza pelos mamilos.

O autoexame deve ser um hábito do dia a dia, pois a partir da palpação da mama, a mulher consegue observar se há presença de algum dos sinais citados acima. Para isso, basta colocar uma mão atrás da cabeça enquanto a outra examina o seio oposto. Faça movimentos circulares, de dentro para fora, de cima para baixo e pressione o mamilo para verificar se há presença de secreção. Repetir esse processo em três posições: em frente ao espelho, de pé e deitada, nas duas mamas.

É muito importante cada mulher conhecer a sua mama, pois caso apareça algum nódulo ou outra anormalidade, logo se preocupará em buscar ajuda médica para melhor esclarecimento da lesão. 

Mesmo as mulheres sem nenhum achado anormal na mama, devem ser submetidas aos exames de rastreamento. A mamografia é essencial após os 40 anos, ou antes, em caso de história familiar positiva. O objetivo da mamografia é fazer o diagnóstico do câncer de mama quando ainda não há lesão palpável. Quanto mais precoce o diagnóstico da doença mais chances de cura com o tratamento. O exame pode ser solicitado pelo próprio ginecologista​, durante a consulta de rotina, mas dependendo do resultado, o especialista encaminha a mulher para o atendimento com um mastologista. 

Ainda que mais frequente nas mulheres, homens também podem ser vítimas do câncer de mama, 1% dos casos de câncer de mama ocorre em homens. Neles, as manifestações mais comuns são: nódulo endurecido atrás ou ao redor do mamilo e gânglio linfático aumentado (caroço nas axilas).


Quais os fatores de risco para o câncer de mama?

Os dois principais fatores de risco são imutáveis: idade e ser do sexo feminino. O câncer de mama acontece mais frequentemente em mulheres do que homens e em mulheres mais maduras em relação a mulheres mais jovens. Além desses, outros importantes fatores que contribuem para a maior incidência do câncer de mama são:

⦁ histórico familiar, especialmente com casos antes de 50 anos; alterações genéticas, especialmente nos genes BRCA 1 e BRCA2;

⦁ primeira menstruação antes dos 12 anos;

⦁ gravidez tardia, após 30 anos;

⦁ não ter filhos;

⦁ obesidade e sobrepeso;

⦁ tratamento com reposição hormonal;

⦁ inatividade física;

⦁ consumo de bebida alcóolica;

⦁ tabagismo;

⦁ menopausa tardia, após 55 anos. 


O câncer de mama em jovens: qual a idade mais propensa à doença?

A maiorias das mulheres com diagnóstico de câncer de mama tem mais de 50 anos. Apenas cerca de 10% dos casos ocorre em idade menor que 40 anos. No entanto, é preciso alertar que existe a doença entre jovens, o desconhecimento dessa informação pode atrapalhar no diagnóstico, e o atraso no diagnóstico impacta negativamente nas chances de cura. 

Mulheres jovens tem câncer de mama?

De acordo com o INCA, nos últimos anos tem aumentado o número de casos entre pacientes com menos de 35 anos. Atualmente, no Brasil, cerca de 5% das mulheres jovens são acometidas pelo câncer de mama. Esse crescimento pode ser relacionado com o estilo de vida das novas gerações: maior consumo de alimentos ultraprocessados e menor número de filhos.


Mulheres mais maduras são mais propensas ao câncer de mama?

Sim, com a idade as células ficam mais susceptíveis a acumular erros na multiplicação celular, erros que podem resultar em multiplicação desordenada, fator primordial no desenvolvimento do câncer. 


Qual a diferença entre o câncer de mama em mulheres mais jovens e mais maduras?

A principal diferença entre a doença nas duas faixas etárias é a agressividade do tumor. É mais comum que as mais jovens tenham a neoplasia do tipo triplo-negativo, uma forma mais agressiva da doença que cresce em velocidade mais acelerada e tem maior tendência a recidivar em outros órgãos após tratamento inicial. No entanto, importante destacar que mesmo nesses casos há tratamento com chances muito boas de cura, especialmente quando o diagnóstico é precoce. 


Tratamento 

A melhor opção de tratamento para o câncer de mama vai depender do tamanho da doença na mama, do acometimento ou não de linfonodos axilares no momento do diagnóstico e também do subtipo de doença (receptor hormonal positivo, HER2 positivo ou triplo negativo). As modalidades de tratamento envolvem cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapia anti-HER2. A melhor combinação de modalidades de tratamento para cada caso idealmente deve ser definida por equipe multidisciplinar composta pelo menos por mastologistas, oncologistas clínicos e radioterapeutas. 

Além da apresentação clínica (estadiamento) e subtipo da doença, é muito importante na decisão terapêutica levar em consideração a idade da paciente, a presença de comorbidades, a condição clínica geral e o desejo de manter a fertilidade após o tratamento, no caso de pacientes jovens na pré-menopausa, sem prole definida. Hoje em dia existem disponíveis plataformas moleculares capazes de classificar o tumor de acordo com o risco molecular de recidiva após a cirurgia. E essa avaliação contribui com a decisão de envolver ou não a quimioterapia no tratamento pós-operatório para algumas pacientes. 

No caso de mulheres jovens e sem filhos, importante a orientação dos métodos mais seguros para contracepção durante as fases de quimioterapia e hormonioterapia, bem como a definição das melhores estratégias de preservação de fertilidade. Caso seja desejo da paciente engravidar, é possível programar o momento mais seguro para acontecer a gestação. Não é seguro engravidar durante as fases de quimioterapia e hormonioterapia, pois podem existir malformações fetais secundárias ao uso de medicamentos, e também o excesso de hormônios naturalmente produzidos durante a gravidez pode acelerar o desenvolvimento do câncer e colocar a paciente em risco.

 Além disso, a quimioterapia pode aumentar a chance de infertilidade e dificultar a gravidez após o tratamento. Sendo assim, é importante definir, de acordo com a idade da paciente, a melhor estratégia de preservação de fertilidade. É possível ocorrer gravidez saudável após o tratamento para o câncer de mama, desde que tudo seja programado da forma mais segura e eficiente. É essencial abordar esse assunto logo no princípio e antes de começar qualquer tratamento. 



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