
Entenda os sinais que o corpo dá com a deficiência de ferro, do cansaço comum a manifestações que afetam pele, unhas e cabelo.
Aquele cansaço que não passa, mesmo depois de uma boa noite de sono. A falta de ânimo para tarefas simples do dia a dia e uma palidez que os outros começam a notar. Esses sinais, muitas vezes atribuídos ao estresse da rotina, podem na verdade indicar uma condição muito comum: a anemia ferropriva.
De acordo com o Ministério da Saúde, a anemia por deficiência de ferro, também chamada de ferropriva, é a mais comum entre as manifestações da doença, sendo responsável por 90% dos casos.
O que é anemia ferropriva?
A anemia ferropriva é a forma mais comum de anemia em todo o mundo e ocorre quando o organismo não possui ferro suficiente para produzir a quantidade necessária de hemoglobina, a proteína presente nos glóbulos vermelhos responsável por transportar oxigênio dos pulmões para todo o corpo.
Sem ferro adequado, os glóbulos vermelhos tornam-se menores e em menor quantidade. Como resultado, os tecidos e músculos não recebem oxigênio suficiente para funcionar de maneira eficaz, o que leva ao surgimento dos sintomas característicos.
Segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde do Ministério da Saúde, 20,9% das crianças menores de 5 anos apresentam a doença, e a prevalência em mulheres é de cerca de 29,4%.
Quais são os principais sintomas da anemia por falta de ferro?
Os sinais da anemia ferropriva podem se desenvolver lentamente e, no início, ser tão sutis que passam despercebidos. Conforme a deficiência de ferro se agrava, os sintomas tornam-se mais evidentes. Eles podem ser agrupados em diferentes categorias.
Sinais gerais e mais comuns
Estes são os sintomas mais relatados e frequentemente os primeiros a aparecer:
- Fadiga e fraqueza: é o sintoma mais prevalente. Ocorre pela falta de oxigênio nos tecidos, resultando em cansaço extremo e falta de energia.
- Palidez: a pele, o interior das pálpebras e as gengivas podem ficar mais pálidas devido à redução da hemoglobina.
- Falta de ar (dispneia): o corpo tenta compensar a falta de oxigênio acelerando a respiração, o que causa sensação de falta de ar, mesmo em repouso ou após esforços leves. Em crianças, a falta de ar, ou taquipneia, é um sintoma comum de anemia ferropriva grave, podendo ser confundida com asma ou bronquite. Essa baixa oxigenação afeta diretamente o coração, podendo levar a complicações cardíacas em casos crônicos.
- Tontura e dor de cabeça: a oxigenação insuficiente do cérebro pode levar a dores de cabeça frequentes e vertigem.
- Palpitações: o coração trabalha mais para bombear o sangue e distribuir o pouco oxigênio disponível, o que pode ser sentido como batimentos cardíacos acelerados ou irregulares (taquicardia).
Alterações na pele, unhas e cabelo
A deficiência crônica de ferro também afeta a saúde dos tecidos e anexos cutâneos:
- Unhas fracas e quebradiças: as unhas podem se tornar finas e até adquirir um formato côncavo, semelhante a uma colher (coiloníquia).
- Queda de cabelo: a falta de oxigênio nos folículos capilares pode enfraquecer os fios, levando a uma queda acentuada.
- Pele e boca seca: a pele pode ficar ressecada e podem surgir fissuras dolorosas nos cantos da boca (queilite angular).
Sintomas neurológicos e comportamentais
O cérebro é um dos órgãos mais afetados pela baixa oxigenação, resultando em:
- Dificuldade de concentração e irritabilidade: a função cognitiva pode ser prejudicada, afetando o aprendizado e a memória, além de causar alterações de humor.
- Perda de audição: Embora menos conhecido, a anemia ferropriva também pode causar perda auditiva. O tratamento adequado da deficiência de ferro pode ajudar a reverter essa condição.
- Desejos incomuns (pica): em casos mais graves, pode ocorrer um desejo de ingerir substâncias não nutritivas, como gelo, terra ou argila.
O que causa a deficiência de ferro?
A deficiência de ferro pode ser causada por diversos fatores, muitas vezes combinados. Entender a causa é fundamental para um tratamento eficaz. As principais incluem:
- Dieta inadequada: baixo consumo de alimentos ricos em ferro, como carnes vermelhas, feijão e vegetais verde-escuros.
- Perda de sangue: sangramentos crônicos são uma causa comum. Isso inclui fluxo menstrual intenso em mulheres, úlceras, gastrites ou outras lesões no trato gastrointestinal.
- Má absorção: certas condições, como a doença celíaca ou cirurgias gastrointestinais (bariátrica), podem dificultar a absorção do ferro dos alimentos.
- Aumento da demanda: fases da vida como a gravidez, amamentação e períodos de crescimento rápido na infância e adolescência exigem mais ferro, aumentando o risco de deficiência. Por exemplo, a anemia ferropriva é a causa mais comum de anemia durante a gestação. Nesses casos, exames detalhados de ferro são essenciais para um diagnóstico e tratamento precisos, visando a saúde da mãe e do bebê.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da anemia ferropriva não deve ser feito apenas com base nos sintomas. A confirmação depende de uma avaliação médica detalhada e de exames de sangue específicos. O principal é o hemograma completo, que avalia a quantidade de hemoglobina e o tamanho dos glóbulos vermelhos.
O médico pode solicitar a dosagem de ferritina, que mede os estoques de ferro no corpo, e outros marcadores para confirmar a causa da anemia. A automedicação com suplementos de ferro sem um diagnóstico correto pode ser perigosa e mascarar outras doenças.
A anemia ferropriva pode causar complicações graves?
Quando não tratada, a anemia ferropriva pode levar a complicações sérias. O esforço contínuo do coração para compensar a falta de oxigênio pode resultar em problemas cardíacos, como arritmias ou insuficiência cardíaca.
Em gestantes, a anemia grave está associada a partos prematuros e bebês com baixo peso. Já em crianças, a deficiência de ferro pode causar atrasos no desenvolvimento cognitivo e motor. A anemia por deficiência de ferro pode, inclusive, prejudicar permanentemente a capacidade de se movimentar, pensar e se comportar. Portanto, o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para o desenvolvimento infantil. Vale ressaltar que a anemia ferropriva não se transforma em leucemia, embora alguns sintomas possam ser semelhantes, reforçando a necessidade de uma investigação médica criteriosa.
Quando procurar ajuda médica?
É fundamental procurar um clínico geral ou hematologista se você apresentar um ou mais dos sintomas mencionados de forma persistente. A avaliação profissional é indispensável para identificar a causa do problema e iniciar o tratamento adequado, que pode incluir suplementação de ferro, mudanças na alimentação e, se necessário, a investigação de possíveis sangramentos.
Não ignore os sinais do seu corpo. Cuidar da saúde começa com a atenção aos detalhes e a busca por orientação qualificada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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